quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sobre Protetores e Mentores

Quando vi pela primeira vez, fiquei me perguntando o que viria a ser isso de “protetor” no BDSM. Nunca havia ouvido falar, ao menos não nas listas. Continuo não sabendo exatamente o que eles tinham em mente – os desenvolvedores do fet e as comunidades BDSM de lá – quando incluíram essa... modalidade de relação. Sobre mentores, já havia presenciado alguns casos.

Quero falar então justamente sobre Protetores e Mentores, nesta ordem.

O que eu vou dizer não é uma regra, não é uma posição oficial, nem nada disso. É tudo fruto da minha imaginação, e o senso particular que eu faço sobre BDSM – eu deixo claro, para não parecer que estou pretendendo dar uma “versão oficial”, em realidade, se houver essa versão, eu gostaria muito de saber.

Como não tive acesso a nenhum tipo de postura consolidada sobre isso, o terreno está aberto pra elaboração criativa, e a possibilidade de novas formas litúrgicas. Esse material deve ser encarado não como regras, mas como um referencial – em qualquer meio social, as relações são tão mais harmoniosas e eficientes quanto mais claras e coesas são as bases que orientam todas as partes, e essa é a maior utilidade de uma noção compartilhada de liturgia no que tange a relação entre um grande grupo de pessoas. Essa é a contribuição que se deseja dar aqui.

Vamos ao que interesa.


Protetor

A função de protetor que me parece mais plausível seria análoga à de um “tutor”. Nós no BDSM não temos relação formal de filiação, então dá-se que o tutor é algum tipo de responsável e orientador na ausência de ascendentes familiares (tradicionalmente isso se aplicava a órfãos, por exemplo, e no “mundo BDSM” tecnicamente somos todos “órfãos”).

Desse modo, o protetorado me parece criar uma relação de, em primeiro lugar proteção o que é auto evidente, e em segundo, de orientação, e em terceiro, de mediador.

Para que isso tenha qualquer relevância prática, é necessário observar duas coisas.

a) Se não é para existir orientação e responsabilidade da parte do “protetor”, sua função é vazia de sentido; Afinal, para que ele serve então?
b) Se é para proteger, esclarecer e ser responsável por alguém, sem ter qualquer autoridade sobre os atos dessa pessoa, então é simplesmente inviável exercer a posição de “protetor”; Afinal, não faz sentido assumir responsabilidades sobre algo o qual não se pode exercer qualquer controle;

Isso é tão somente uma questão de bom senso.

Aqui começo a tanger uma questão colocada frequentemente, sobre o Protetor sentir-se no direito de exercer autoridade sobre o protegido. Em minha opinião pessoal, isso faz sentido sim. Um papel como o de protetor é um algo muito litúrgico, e essa noção de papéis tão cristalianos não deve ser estranha para quem se considera litúrgico e aprecia essa situação.

Naturalmente que, em determinadas ocasiões, um veto da parte do Protetor pode ir contra os interesses imediatos do protegido e esse pode sentir-se contrariado. Mas é algo também do bom senso que, se é para fazer apenas o que bem entender, para que alguém procura um “protetor”, isso é, uma relação de dependência e reverência? Aquele que considera absurdo acatar ao bom senso de outrém, na figura de protetor, obviamente não deveria procurar ter um.

Evidentemente isso também aborreceria caso um pretendente a Dono fosse vetado, porque o “protetor” em seu julgamento, entende que não será bom para seu protegido – todavia seja compreensível que essa pessoa se aborreça, ela precisa ter em mente que está pisando no território de outro Top, e portanto deve ser cordial e respeitoso.

Mas a função do Protetor, assim me parece, não deve ser uma de “Dono Freelance”. Retornando à analogia do Tutor (comum antigamente na sociedade), seria de certo modo uma relação “incestuosa” caso o Protetor use a sua relativa autoridade sobre o protegido como pretexto para satisfazer-se pessoalmente de seu dependente. Entendo que a motivação válida para ser um protetor seja uma de afinidade e afeto, e de autoridade benevolente e altruísta sobre o protegido – uma relação, portanto, essencialmente assexual no sentido “egóico” da palavra.

(É um tanto complicado falar em “assexual” e BDSM na mesma frase, porque BDSM é erótico mesmo quando não é propriamente sexual – genital. O BDSM trasncende o meramente sexual, e ao mesmo tempo, é erótico em toda sua extensão, portanto quando digo “assexual” quero dizer literalmente “genital”).

Ora, se for para dar-se a esse tipo de desfrute com o protegido, que assuma-se Dono então. Em tal situação, o referido Protetor estaria abusando de sua posição, e estaria o protegido em toda razão de sentir sua confiança traída, dadas intenções mascaradas do protetor.

Mas é no momento de encontrar um Dono para seu protegido, que a função do Protetor se torna mais delicada. Após ter contribuído para a formação de um escravo, e esclarecer-lhe sobre seus deveres e qual tratamentos e considerações esperar, deve ter fim um dia o período de ensinamento, e esse escravo deve encontrar um Dono para que realize seu potencial e encontre sua satisfação. Aqui entra o duplo papel de protetor e mediador – cabe ao Protetor dialogar com possíveis futuros Donos desse escravo, e zelar para que ele esteja sendo entregue em boas mãos – Zelo é uma palavra importante para definir o caráter da atividade de Protetor.

É muito discutível a extensão do poder de veto do Protetor sobre as escolhas do escravo. Por exemplo, o Protetor não tem poder efetivo para proibir o escravo de consentir em ser propriedade de um Dominador que ele desaprove, mas em vistas disso, ele tem sim o poder de abrir mão de seu papel de Protetor, de isentar-se de seus deveres em vistas à atitude insurgente do seu protegido. Em outras palavras, é plausível que ele “lave suas mãos”, e se limite a torcer pelo melhor resultado. Tal qual filhos, protegidos podem ser bastante rebeldes, e na impossibilidade de impôr efetivamente seu ponto de vista, resta apenas entregar o ex-protegido à própria sorte.

Após toda essa extensa – e talvez pedante – meditação, se tivesse que resumir o caráter, procedimento e pertinência do papel de Protetor, eu sintetizaria dessa maneira:

O Protetor é aquele Top que se compromete a uma relação altruísta de zelo, instrução e preparação de um escravo, usando de autoridade benevolente e disponibilizando ao escravo seu conhecimento sobre as relações de Dominação e submissão, tendo o escravo nele a figura de um tutor disposto a facilitar sua incursão ou reincursão no exercício da submissão. Tal relação é, por natureza, altruísta e assexual – todavia erótica – e baseada na afinidade e afeto pelo seu protegido,e sua recompensa é a satisfação derivada do exercício de seu papel.

Para atingir estes fins lhe cabe selecionar, proteger, instruir, orientar, disciplinar verbalmente ou por quaisquer meios necessários que não atentem contra a natureza de seu papel, e não traiam a confiança que lhe foi depositada.

A esta altura está claro que o Papel de protetor se dá em relações entre Dominadores e submissos. Mais adiante darei minha explicação sobre o porquê dessa distinção.



Sobre Mentores

Terminei a seção sobre protetorados estipulando que aquela noção é mais apropriada para Dom/sub. Cabe aqui agora dar um embasamento para essa noção.

Considero que a posição de protetor não é aplicável ao caso em que um Dominador encarrega-se do esclarecimento de outro, porque entende-se que tratam-se de dois iguais, e de certo modo, duas Pessoas em pleno e semelhante potencial em se tratando de BDSM.

Considera-se para o mesmo efeito que, todavia o escravo seja dotado de uma personalidade própria como toda pessoa humana, seu lugar na liturgia é o de uma Pessoa subordinada; suas decisões, condicionadas a uma vontade superior; de modo que no esquema vertical das relações BDSM, seu status possui limitações próprias de sua condição. É evidente que essa noção é alegórica, metafórica, e válida somente no contexto lúdico da Dominação.

Entende-se aqui que diferentemente do Protetor, que tem um papel de zelar entre outras coisas (definido em profundidade anteriormente), a relação de instrução entre dois Tops é melhor entendida como a de alguém que se propõe a facilitar o desenvolvimento de um igual, tal qual um mestre aceita um discípulo, que é alguém como ele próprio, mas a quem decide doar seus conhecimentos.

Acredito que no mentorado é que se pode ver melhor a beleza da liturgia. Ao adquirir um mentor, um Dominador serve-se do conhecimento deste que lhe dá esperando apenas bom uso, mas por sua vez, enaltece aquele que aceita para si um discípulo – é notável também que isso enaltece ao discípulo, que demonstra humildade em admitir que nem tudo sabe, mas está pronto a aprender com outrém.

O papel do Mentor é um de ajudar a lapidar o talento bruto de um outro Dominador, isso é, torná-lo mais capaz de exercer a Dominação. Por essa razão, entendo que não faz sentido um Dom ter protetores, e não faz sentido um escravo ter Mentores.

Mas o quê em realidade são as obrigações mútuas entre Mentor e mentorado?

Ao Mentor, compete destinar atenção ao mentorado e sanar-lhe dúvidas, demonstrar-lhe técnicas, dar a ele um aporte conceitual, e assegurar-se de que ele tenha condições de ser um Dominador eficiente e ético.

Ao mentorado, cabe fazer o melhor uso possível do que lhe foi ensinado, honrar ao seu professor, e observar sua conduta para que essa seja a mais apropriada, e por si só exalte a figura daquele que lhe destinou tanto esforço.

Se por um lado a natureza do papel do Protetor é uma quase paternal, o papel do Mentor é de natureza fraternal, como entre um irmão mais velho e um mais novo, onde o respeito se dá de forma horizontal, e este empenha-se ativamente fazer disponível a ele sua bagagem de vivências.

De modo geral entusiasta de ambas modalidades de interação.



Cordialmente,

Senhor Coltrane


A título de notas finais, é imperioso dizer que tanto o papel de Mentor como de Protetor incorrem em grandes responsabilidades; em uma conduta quase que sacerdotal; e que requer uma fibra ética e moral obstinada e uma retidão inabalável. É obviamente claro que tais ofícios não são para qualquer um, e cabe àqueles que se confiarem ao bom senso de um Protetor ou Mentor, usarem seu bom senso na hora de aceitar alguém para essa posição, e sim, rejeitar para esse encargo aqueles que usarem essa nobre atividade para realizar intentos obscuros e reprováveis. Ao fim e ao cabo, um protegido ou mentorado é o responsável último por si e pode e deve afastar-se de pessoas que demonstrem caráter vacilante na hora de desempenhar estes papéis.

Em resumo, poucos são capazes de exercer essas atividades, mas aqueles que o são, tornam possíveis grandes e extremamente recompensadoras experiências para todos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ascenção

Olá, meu nome é Marco. São duas e quarenta da madrugada, e estou sentado na varanda no oitavo andar, olhando o tráfego lá embaixo. Em noites de verão a cidade se torna mormacenta, e tudo fica mais lento. Pensar faz transpirar. Pensar em algo como correr faz transpirar em bicas. Pensar em sexo é desidratação certa.

Na outra sala está Mônica. De pé, no centro da sala, os pés separados a meio metro atados a um afastador. As mãos atadas às costas, esticadas para trás, perpendiculares ao chão. Dos seus seios partem grampos, um pouco menores do que aqueles de dar carga em baterias de automóvel, e deles, um cordão se projeta para frente. Passa por uma roldana. Retorna em direção a ela, passando por baixo, por entre suas pernas, até outra roldana, na extremidade oposta da sala, e dessa roldana, atado à algema em seus pulsos.

Ela está vendada, e na boca, uma bola de borracha afivelada com uma tira de couro. Mônica baba, e treme. E transpira. Tudo transpira nessa cidade em janeiro. Seus braços tremem mais, a essa altura provavelmente com cãibra. Por causa dos grampos e das roldanas ela pode relaxar os braços somente por alguns instantes, enquanto eles tracionam os mamilos presos aos grampos, e então novamente esticar-los para que fiquem paralelos ao chão. Ou ao forro.

Mônica começa a chorar. Soluçar. E transpirar ainda mais. Por cima de meu ombro viro o rosto para vê-la, e torno a olhar para baixo. Mônica não sabe o meu nome. Nem você: apenas me chame de Marco. Quando você não é mais quem costumava ser, seu nome se torna um detalhe. Se não gostar de Marco pode me chamar de Alberto. Ou Suzana. O que lhe fizer mais feliz, não faz diferença para mim.

Para lhe explicar como eu me tornei o que me tornei, eu teria de contar a minha história inteira.

Os filósofos usam a palavra grega “metanóia” para descrever uma mudança qualitativa da mente. Na teologia, metanóia é um processo de elevação pelo arrependimento, onde naquele que se arrepende, opera-se uma mudança no espírito.

Para Jung, metanoia é quando o psiquismo, com o objetivo de curar-se, espontaneamente dissolve-se e tenta renascer em algo diferente, renovado. Isso obviamente não foi o que me aconteceu.

Viro-me novamente para olhar Mônica. Ela recita baixinho, contando. A bola em sua boca não me permite saber em que número está, mas talvez esteja se aproximando da primeira centena. Interrompe-se para soluçar, e retoma essa contagem. Talvez esteja recitando um salmo. Ou não.

Certamente não. Não um Salmo. Não Mônica.

Conhecemos-nos na internet. Ou numa livraria. Ou numa viajem.

Em realidade, eu estava em São Paulo a trabalho, e parei em uma livraria. Tomava café em um daqueles copos de isopor que liberam estrogênio quando recebem o líquido quente, enquanto lia emails no laptop. Mônica transitava entre as prateleiras, tendo sob o braço um livro de capa vermelha, de papel couchê encerado, brochura colada, não costurada.

Com a maior parte dos livros se dá como o copo de isopor. Talvez o banho que a folha de papel recebe para ficar mais branco libere também pequenas partículas de algum anestésico sexual, e ao terminar um livro, e depois muitos livros, você se encontra a cada dia, de forma química ou memética, cada vez mais próximo da castração. Sexual ou intelectual, a idéia funciona das duas maneiras.

Mônica senta-se ao mesmo balcão. Busca os óculos na bolsa, veste-os no rosto, e abre o livro em uma página com marcador de papel cartona. Viro o laptop um pouco de lado, para que não seja possível a ela ver o monitor. Ela vira o livro, pousando o antebraço na lateral, como se o tentasse esconder, e pousa a testa na ponta dos seus dedos.

Tento entrever uma página do livro, por entre a janela triangular de seu cotovelo, ombro, e ponta dos dedos sobre o qual apóia o rosto. Chame isso de diálogo se preferir, às vezes pequenas ações e reações entre estranhos são o máximo de intercâmbio que... e ela sobe os olhos.

Senta-se ereta. Rearranjo-me na cadeira. Ela inclina o livro para si. Eu tusso. Ela olha a xícara de café, e diz “sabia que café em copo de isopor tem...” eu sei. “Sim, eu sei” eu respondo.

“Prazer, Mônica.”

“Prazer, Antônio.”

Pequenas mentiras, pequenas quebras de decoro. Doses milimétricas de despudor, transformadas em hábito.

Nos próximos minutos Mônica me fala sobre o quanto gosta de ir a livrarias. Sobre como gosta de São Paulo no inverno. Sobre como gostaria de conhecer o meu estado. Sobre como está gostando de ler História de O.

Eu sorrio, com meia boca. Às vezes ergo uma sobrancelha enquanto ela fala. Às vezes esqueço de fingir que estou prestando atenção.

Mônica fala sobre como ela gosta de tomar café em livrarias. Sobre como gosta de usar óculos, e não aprecia lentes de contato. Sobre como seu ex namorado era entediante na cama.

Pequenos fatos entediantes sobre os outros. Grandes quebras de silencio, tagarelice transformada em hábito.

Mais tarde, estamos em um bar da mesma galeria. Mônica fala de como gosta de lírios. De como detesta livros psicografados. De como se considera jovem demais para se preocupar com vidas futuras.

Mônica fala de como lamenta meu segundo divórcio. De como é difícil encontrar afinidades. De como é difícil conhecer pessoas interessantes, e de como as pessoas falam demais.

Concordo.

Que diferença faria seu nome para alguém que não está de fato preocupado em lhe conhecer? Dirigimos-nos sempre uns aos outros por “você”. “Tu”, em alguns estados como o meu. Marlon Brando não precisou saber o nome de Maria Schneider em O Último Tango em Paris. Não vi o filme. Eu li sobre isso. Em alguma página. De algum livro. De alguma livraria que servia café em copos de isopor.

Mais tarde. Seis meses mais tarde, estamos em apartamento, no oitavo andar, em minha cidade. Mônica tem falado pouco desde que chegou aqui. Era para ser uma visita, depois que voltei de São Paulo.

A mala de Mônica não chegou a ser desfeita. Ela não chegou a conhecer o Parque da Redenção, e só viu as flores nas árvores do Bom Fim da janela do oitavo andar. É onde fica meu apartamento.

Eu não precisei trancar a porta.

Quando chegou na cidade, Mônica trazia consigo ainda o mesmo livro de capa vermelha, com o mesmo marcador, na mesma página. Levei-a para jantar, como seu anfitrião.

Mônica falou sobre como fazia tempo que não viajava. Sobre como era estranho estar em outro estado, jantando com alguém que mal conhecia. Sobre como sexo anal era sempre, sob qualquer ponto de vista, um ato de poder sobre o corpo de outro.

Um pouco mais tarde, e estamos em meu apartamento.

Sentamo-nos na sala, que dá para a varanda. Uma mesa de centro, um sofá e duas poltronas, e duas samambaias penduradas, em lados opostos, nas paredes da mesma sala.

A mala de Mônica está em meu carro até hoje, desde que a apanhei no aeroporto.

Tomamos algumas taças de vinho, e Mônica falava sobre como sempre fantasiava coisas que a deixariam constrangida de sequer falar. Falava sobre como ela tinha o hábito de falar demais sobre si, e sobre como tinha facilidade em conhecer pessoas.

Mônica adormeceu no sofá, e acordou nua, com os pulsos acorrentados ao pescoço. Uma das samambaias foi removida da argola de onde pendia na parede. De lá parte uma guia, até o pescoço de Mônica.

Mais tarde eu soube que Mônica não tinha reserva em hotel algum na cidade. Mônica tem falado pouco desde que chegou, a coisa de seis meses, ainda no inverno.

São três horas da manhã. Me levanto para buscar mais vinho, e no caminho retiro os grampos dos seios de Mônica, que despenca sobre mim.

Retorno à varanda, e continuo assistindo ao tráfego. Nomes não são tão importantes. Mônica me chama apenas de Senhor desde que chegou.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Epístola aos Anti-Litúrgicos

Eis que a vós me dirijo, depois de tão aprazível silêncio, já que nada me compraz mais do que sonegar atenção à parvalhice.


Sem ter por intenção – somente no presente momento – obrar de qualquer forma a repeito de liturgia, sou compelido no entanto a algumas poucas perguntas: porquê vos incomoda a liturgia alheia, pretensos engenheiros sociais do BDSM?


Nada, nem o mais dogmático praticante que eu conheço, consegue ser mais pedante do que libertários perdidos entre libertinos.


Libertários... bem os conheço, bem os conheço. Querem a própria liberdade – não a dos outros!” (Nelson Rodrigues, quem mais seria...?)


Sob a pretensa intenção nobre, qualquer coisa semelhante com “desagrilhoar o BDSM”, combatem furiosa – e muito estupidamente, nota-se – qualquer senso sobre liturgia. Não sem a labuta prévia de comparações inócuas, e distorção sistemática de proposições – privilégio de quem se coloca na posição do segundo a falar, e nada faz além de sofismar encima da fala anterior.


Com todo meu amor, digo-lhes: sois uns filhos da...!

Clipe Fetichista



Música alternativa e clipes alternativos normalmente são sinônimo de gosto discutível.

Mas nesse caso, o autor bem que merece um crédito.

Assista: acabei de conferir o "Selo de Qualidade Senhor Coltrane" à obra.

Aliás, acabei de inventar o selo de qualidade.


















Ouvi dizer que existem podólatras do sexo feminino.

Acho que existem, porque o Pé Grande eu sei que existe: o calibre do acima exposto é 44.

Prazer, Pé Grande.

Errata

Fiquei sabendo que errei o nome do autor, no post anterior.

Meu mais sincero: azar o seu - para ele. Eu duvido que ele fosse capaz de escrever o próprio nome corretamente, de tão bêbado.

O mandamento nº 51 do "Manual do Cabra Badass" reza que nomes escritos errados permanecerão escritos errados para a posteridade.

Amém. ;)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Há um Bukoswky

Segunda-feira, meia noite. Em ócio displicente enrolo um cigarro e uma taça de vinho.

Há um Bukowsky dentro de mim.

Não basta ser sensual, tem de ser sórdido. Eu não consigo açoitar belas almas. Eu não vejo propósito em me dirigir às pessoas boas, e as que fingem serem-lo, ah, me cansam tanto!

Nunca consegui me decidir se o que há nos masoquistas é uma sinceridade de auto-avaliação, ou algum senso de justiça poética. Qualquer das duas coisas é sórdida. É como se dissessem: sim, fui má, e serei novamente. Mas admito para ti, só para ti, e espero que me punas, porque farei novamente.

As belas almas não são sinceras. Há algo de irreconciliável nelas, não conseguem encarar a si. Ainda desconfiam da habilidade de mentir, e essa falta de confiança os faz mentirem mais, e mais, mentirem beleza sozinha em si, desacompanhada de qualquer coisa genuinamente humana. Eu aposto minha mão esquerda, como as belas almas não dormem bem quando põem a cabeça ao travesseiro.

Não são jamais convencidos da própria crueldade como os masoquistas que me agradam tanto. O chicote não é uma extensão do corpo do Sádico, é uma extensão da mente do masoquista.

Que faz um santo, dentro dessa zona? Eu os amo. As pessoas me soam falsas sem estas outras pessoas.

O Sádico é Karma, causa e conseqüência, uma palavra dita e uma pedra arremessada. Pouco em realidade nos distancia do masoquista, provavelmente um mínimo detalhe. O mesmo nos habita, embora diferimos de comportamento.

Não possuímos a delinqüência do masoquista, e em função disso, o Sádico se torna um princípio organizador do caos volitivo daquele. Mas as diferenças param por aí. Um masoquista adulto, paciente. Ser Sádico dói.

Não servem as coisas sórdidas produzidas. Bastam as genuínas. O masoquista exibe isso tudo no contato, e dá, a saber, o quão terrível é alguém que é tão cruel que se faz açoitar: que desafia a dor a puni-lo, e recebe com prazer e desdém o resultado, posto que a temível conseqüência da dor, que todos evitam, é para eles um brinquedo. Eles são eternamente impunes.

Não é nada pessoal. O chicote não é uma extensão do Sádico, recordem-se. É uma extensão do masoquista. Nada pessoal. O Sádico é um bom amigo, e tudo é muito confessional.

Jamais queira ler a mente de um masoquista. É brutal. Se no Sádico a brutalidade recebeu um fino polimento, no masoquista ela é crua, e encontrar-se com ele é encontrar-se consigo mesmo. É por isso que ser Sádico dói. É por isso que Eu Sádico gosto do que é sórdido: nada disso foi feito para ser apartado do cinismo cruel que somos.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

A Fêmea Feliz - Comentários

A Fêmea Feliz – Comentários

Aqui eu desejo fazer um tipo de apêndice, comentar melhor algumas passagens, corrigir outras, e dirimir equívocos possíveis na interpretação daquele texto.

Sempre que escrevo algo longo, ao cabo de no máximo dois meses me vejo detestando aquilo que escrevi. Daí meu receio em publicar.

Porque, sempre depois de maturado o texto, percebo que, sejam minhas opiniões sofreram algum tipo de mudança ou amadurecimento, seja porque publicar petrifica uma idéia, e idéias são pedaços de éter em constante modificação.

“A Fêmea Feliz” é um texto dirigido a Dominadores, Sádicos ou não. Muito do ali descrito pode ser aproveitado por pessoas que não são praticantes de BDSM, contanto que sejam capazes de abstrair recomendações específicas, e adaptar se uso.

Muito antes de material doutrinário, a intenção era discorrer um pouco sobre a tão obscura natureza feminina. É uma tarefa difícil, complicada, no qual nos sujeitamos a cometer inúmeros erros de percepção.

Cabe ilustrar algumas idéias que antecedem o escrito, e assim dar melhor sustentação a este texto. E lembrar que não é um manual para a conquista, e sim, uma troca de experiências sobre como manter uma relação levando em conta nossa natureza animal.

Existe na natureza da fêmea animal, algo chamado investimento parental. Funciona da seguinte forma:

Tanto homens quanto mulheres possuem um instinto que os leva a procriar. Faz parte de nossa programação buscar a procriação, ou ao menos os meios para ela. Faço essa ressalva quanto aos meios, porque nem sempre a “procriação” é o resultado da cópula, principalmente depois dos contraceptivos.

Durante a maior parte da história humana, não se dispunha de contraceptivos. Então a cópula quase sempre resultava em procriação, bastando que ambos fossem férteis. A gestação conseqüente à cópula, é um processo longo no animal humano. Leva meses. E neste processo, a fêmea encontra-se dependente, torna-se incapaz de gerir-se sozinha. Este ciclo tendia a durar dois anos: nove meses de gravidez, e em torno de um ano e três meses de amamentação.

Deste modo, é imperativo que ela empregue uma seleção criteriosa do parceiro com quem terá a cópula (que em circunstâncias naturais, fatalmente terminará em gestação). Esta é a definição de Investimento Parental: o processo de seleção do parceiro, as confirmações e testes que certificarão de que a escolha foi acertada, para então dar-se prosseguimento à cópula. É um protocolo quase que universal.

Ora, mas hoje existem os contraceptivos. E as relações hoje muitas vezes sequer chegam a dois anos.

E uma coisa está intimamente ligada à outra, como espero poder demonstrar.

Como descrito anteriormente, o período pós-coito que dava início ao processo de procriação, tem um período que dura no mínimo dois anos, em que casal era formado e assim permanecia estável até que a fêmea pudesse voltar a cuidar melhor de si, e estivesse menos dependente dos cuidados do macho, seja quanto à ela, seja quanto à prole de ambos.

A cada dois anos é que se tinha um processo de seleção de parceiro.

Mas hoje, temos os contraceptivos. Nossa pulsão procriativa não desapareceu, contudo, a cópula não resulta necessariamente em procriação (que pode ser evitada).

Deste modo, a cópula pode ser praticada sem maiores preocupações, e a fêmea fica menos (ou até mesmo nada) dependente do macho.

E mais um efeito se fez presente, quando se alterou o ciclo procriativo com a intervenção de anti concepcionais: o ritual de escolha de um macho, que antes acontecia a cada 2 anos no mínimo, passou a ocorrer a cada 28 dias.

Vamos colocar da seguinte forma: a escolha de parceiros acontecia a cada dois anos, o que dava um relativo sossego ao macho animal. Com o contraceptivo, este ciclo encurtou-se radicalmente para 28 dias. Quando antes se repetia a cada 24 meses, passou a mensal, o que equivale a dizer que sua ocorrência é 24x mais freqüente do que até dois mil anos atrás.

A esta altura o leitor deve ter percebido que, é extremamente difícil para um homem ser o parceiro escolhido quando é submetido a testes 24 vezes mais frequentemente do que na história antiga.

A diferenciação entre os homens, e a sua necessidade de estarem entre os melhores disponíveis tornou-se muito maior, e não por menos, o recente consumismo masculino de bens supérfluos foi às alturas. Bens que sirvam como forma de ostentação de poder, como celulares, carros, roupas caras, e tudo quanto demonstre que ele é um indivíduo capaz.

Disso podemos deprender algumas conclusões de aplicação prática e direta:

1 – Vivemos ainda dentro da mesma programação na hora de selecionar parceiros. Os homens procuram aquelas que lhe parecem melhores procriadoras, e as mulheres aqueles que são selecionados no crivo do processo de Investimento Parental, que não deixou de existir.

2 – Como a cópula não resulta mais em gravidez, a sua dependência do parceiro reduziu-se ao ponto de ser quase nula. Ainda que continue empregando seleções criteriosas, a fêmea pode dispensar um macho sem comprometer sua subsistência (e a da prole, que no caso, não existe e portanto não é motivo de preocupação).

3 – Neste contexto, percebemos que o macho tinha uma função utilitária para a mulher. Em um primeiro momento, provendo-lhe os pares de cromossomos necessários à procriação, e em segundo, colaborando com sua sobrevida durante a gestação e estágios iniciais de desenvolvimento da cria – que a debilita fisicamente, rouba tempo e paciência da pobre fêmea e lhe acorda do meio da noite (risos).

Esta parte é muito bem compreendida pelo homem, no mínimo a nível intuitivo (mas em grande parte em nível consciente também), e segue sendo um meio de mostrar-se atrativo para a cópula, a capacidade que um homem terá de ser útil.

Poucos homens deram-se conta que, ainda que mostrar-se útil vá colaborar no processo de seleção, a utilidade masculina passou de prática (fornecer os genes e prover a fêmea e cria) para subjetiva.

Para que uma mulher que não quer ter filhos naquele momento, precisa de fato de um homem? Para nada! E porque se não precisa, continua os procurando? Por causa de suas pulsões ancestrais, que nos levam homens e mulheres a procurarem o sexo oposto.

Tendo em vista que a “cópula” não é procriativa nos dias de hoje, na maioria dos casos, podemos chama-la de “pseudo-cópula”. Quando usando camisinha, pílula, ou em intercurso anal, não estamos de fato copulando, e sim emulando este processo natural de modo a satisfazer nossa pulsão procriativa. Seria mais ou menos como mascar chiclete de nicotina, em que se emula a relação oral com o cigarro, e assim, se engana a vontade de fumar (tal qual a pseudo-cópula engana o instinto procriativo).

Quando falamos em jogos femininos, estamos falando em testes que são empregados para saber se o parceiro corresponde ao que seria um parceiro ideal para a cópula. Mesmo que o que vá se suceder seja uma pseudo-cópula, o processo se mantém, vez que é regido por parâmetros de seleção tão antigos quanto a própria espécie humana.

Agora estamos aptos a entender o fetiche feminino pelo canalha.

Durante seu processo de seleção, a fêmea busca um macho que seja forte, não apenas me termos de ter uma boa capacidade física, como forte emocionalmente. Acontece que o canalha, tal qual é, frio, distante, e insensível a demandas femininas que lhe implicam em obrigações excessivas e tormentos, exibe em si um tipo de força emocional para lidar com o sexo feminino advinda de sua não-identificação como pessoa obrigada para com o sexo feminino.

Mas porque ele é escolhido, se aparentemente seu caráter é evasivo?

No meio natural, as preocupações de primeira ordem são alimentação e segurança. A fêmea precisa de alguém que tenha bons genes (e aceita como indício, o reconhecimento de força no parceiro). O caráter fica em plano secundário, e traços como emotividade, capacidade artística, compreensão, não são de primeira ordem dentro desta programação.

O ordem do dia é: encontre alguém que lhe fertilize e seja capaz de lhe proteger e prover a você e à cria.

E o canalha assim parece.

O canalha é o individuo que não introjetou suficientemente bem os valores morais (sociais) como fidelidade, romantismo, e afins. Não entende a si como alguém a serviço do sexo oposto.

Está mais fácil entender porque o dito homem sensível normalmente está solteiro, ou forma pares fixos e faz o possível para mantê-los? Seus atributos são secundários frente às necessidades imediatas de uma fêmea prenhe.

Pode-se argumentar que o mundo de hoje, justamente por causa dos contraceptivos e das facilidades da vida (como sistema de saúde, proteção policial, mecanização e um alto nível de domínio do humano sobre a natureza) tornam o macho alfa dispensável à mulher. Mas por mais que se contextualize a situação da formação de pares, não são 600 anos de relativo bem estar da espécie que irão apagar 10 mil anos de programação que impõe escolhas criteriosas no momento desta formação de pares. Continuamos agindo como os homens e mulheres das cavernas, na rua, na chuva, na fazenda, ou em uma cobertura no Moinhos de Vento com um Audi na garagem.

Mas há algo que se não for evidenciado, será uma contradição grave em minhas palavras: se o papel do macho não é mais utilitário, que papel lhe restou?

Tendo em vistas que a programação permanece a mesma – mesmo a despeito de o modo de vida ter mudado – o papel do macho passou de utilitário objetivo, a utilitário simbólico.

Trocando em miúdos, tendo um açougue na esquina de casa, nenhuma fêmea precisa ter um caçador forte, mas mesmo indo ela própria “à caça de carne”, ela ainda procura por um “caçador” em função de sua programação.

E o “caçador” de hoje, é “certificado” dentro dos mesmos atributos que era testado um macho na antiguidade.

Existem os físicos, que são uma boa compleição. As mulheres não ligam muito se você não se parece com o Brad Pitt, ou não tem pilhas e pilhas de músculos, porque na forma como seleciona parceiros, um rostinho bonito não serve de nada. Uma aparência saudável, e um corpo que não seja obeso ou raquítico, estão mais do que suficientes, acredite.

Parece tão fácil preencher as características que ainda fica difícil entender como a imensa maioria dos homens não é de conquistadores. Mas existem ainda os atributos emocionais/mentais.

Uma compleição satisfatória é averiguada nos primeiros 15 segundos de contato visual. Nos primeiros segundos ela já vai saber se você é um homem fisicamente capaz ou não. Mas a formação de pares não leva apenas 15 segundos, porque existem ainda características importantes para a fêmea a serem checadas.

Ainda resta conferir a capacidade mental e emocional.

Vamos botar a coisa bem simples: tal qual um homem que é uma pilha de músculos não tem muito tempo para “caçar” (logo é um Zé tentando compensar a burrice/pobreza de algum modo), um homem que lê três livros por semana, não tem tempo de ser um provedor. Um nível intelectual de bom a alto é extremamente desejável, bem como um nível cultural. No mundo atual assim como no antigo, capacidade mental significa capacidade de lidar com desafios naturais de forma inteligente (e especialmente, sair vivo deles). No mundo moderno significa saber solucionar problemas imediatos, e ser capaz de transitar na vida social com sucesso.

Mas não se trata, definitivamente, de um gênio. E sim um homem inteligente e sobretudo com inteligência prática. Vale apenas lembrar que as mulheres não se jogavam aos pés de Nietzsche ou Schoppenhauer, e que Sartre formou par com a baranga da Simone de Beauvoir. Eu preciso dar provas mais concretas de que um QI de 130 está mais do que bom? (risos)

Restou ainda a capacidade emocional. Um indivíduo emocionalmente forte, não necessita submeter-se ou estar a serviço dos outros. Sabe o “bom ouvinte, amigo de todos”? Conhece algum canalha assim? Eu não.

O “bom ouvinte” e “melhor amigo (assexuado)” de uma mulher, acredita que está de alguma forma fazendo-se indispensável em sua vida. Está sendo útil. Ele está sendo... usado. Só ele não percebe a sua tarefa não-remunerada de terapeuta. Ele acredita que com o tempo e a confiança, ela vai perceber que ele é o parceiro ideal: sensível, prestativo, preocupado. E principalmente, ele não sabe que esses caracteres são para lá de secundários em formação de pares.

Dado a utilidade simbólica do homem, suas características emocionais ganham elevada importância na formação de pares. Mas são as características emocionais de um bom “caçador”, tais qual capacidade de raciocinar sob pressão, não ser facilmente intimidado, valoração de si, uma dose saudável de frieza e uma relação saudável consigo mesmo.

As aptidões de liderança são extremamente bem vindas, embora não sejam um pré-requisito.

Falávamos o tempo inteiro sobre os canalhas, e a esta altura, você pode estar se perguntando se eu estou recomendando aos homens que o sejam. De modo algum. O canalha é muito bem sucedido em atrair, mas não possui força emocional para suportar os sucessivos testes e tormentos da convivência com uma mulher. Não por outro motivo, sua passagem em suas vidas é esporádica. Ele não forma pares.

O canalha, ou vulgo “cafa” é o indivíduo bem sucedido em parecer aquilo que um homem sólido é, de fato.

Eis a grande questão. O que o canalha transmite, é desmentido com o tempo. O quanto tempo isso vai ser percebido, é diretamente proporcional ao quão ideal para formação de par uma mulher vai ser. A eterna ludibriada, é igualmente fraca emocionalmente, portanto não é uma mulher recomendável para formação de uma relação mais duradoura.

É possível colocar em situações práticas o que seria um homem emocionalmente capaz. Isto vai ficar para um texto futuro, onde pretendo correlacionar com nossa atividade BDSM o então descrito.

Por hora, me ative a comentar sobre formação de pares e o processo seletivo do sexo feminino, e é o alicerce de todo e qualquer material que virá futuramente.

Saudações,

Sr Coltrane.

quinta-feira, 29 de março de 2007

A Fêmea Feliz

A Fêmea Feliz

"Quando fores ao encontro de uma mulher, não esqueças o chicote"
(Frederich Nietzsche)


De todas as fotos de SM que vejo, as que mais gosto são as da mocinha acorrentada com sorriso nos lábios. São para mim as mais verdadeiras.
Não por consensualidade, ou por ser o "retrato de um momento mágico", ou nada dessas asneiras. Poderia ser outra, não precisa ser necessariamente uma escrava. O que me toca é ver ali uma fêmea realizada, como fêmea, no lugar onde seu inconsciente sempre sonhou: cativa de um macho alfa.
As mulheres são seres polares, oscilam entre dois polos, um sublime e um profano. O sublime existe por sí só, e dispensa explicações. O profano sim, cavalheiros, é o que mais nos diz respeito. É aquele que nos afeta, nos atormenta, nos vence ou nos derrota - a opção é nossa. É o profano, em toda e qualquer mulher, o lado que nos diz respeito, aos homens.

É do lado profano feminino que nascem suas artimanhas, astúcias, seus jogos.
Foi um dia conhecido o fato de que o sexo ocupa um lugar prioritário muito mais para o homem, do que para a mulher. Hoje é politicamente incorreto afirmar isso, mas não nos enganemos: não é atoa que as fêmeas põe em secundário este item. Ele realmente é secundário, e sendo o nosso prioritário, é este o nervo por onde somos pêgos sempre. Pobre do macho que não consegue submeter o sexo no feminino: precisa preparar-se para uma verdadeira ginástica para obter o direito aos prazeres.

Ginástica, sim. Quem sabe até uma maratona. A natureza feminina reservou aos machos mais aptos o direito de transmitir seus genes. Alguma dúvida? Porque o sexo é racionado no casamento?

A tendência feminina é assegurar, em primeira ordem, sua segurança e provisão. Uma vez obtida, o sexo, que é secundário, serve apenas para manutenção do enlace com o macho que se dispôs a ser sua contraparte. Se você se predispôs a ser cavalo de carga, pode apenas esperar um torrão de açúcar vez ou outra. Assegurado este enlace, ela se torna livre e segura para destinar seus tesouros aos machos de bons genes. E não conhecemos a mulher casada com um homem rico, que tem amantes mais jovens e menos abastados? Por quê ela destina o sexo mais selvagem a ele? Foi o marido quem colocou-se nesta posição. A velha brincadeira de que uma mulher precisa apenas de três animais, um jaguar para dirigir, um burro para pagar as contas, e um gato para transar, é triste mas verdadeira. Elas próprias fazem a bincadeira, e sim, quando rimos da piada junto, ela se torna duas vezes mais engraçada: nada como dizer uma verdade, e vê-la ganhar comicidade aos ouvidos do homem.

Os homens muitas vezes custam a aceitar isso. Tentamos entendê-las pela nossa lógica, simples e direta. Fracassamos por motivos naturais: não é possível entender de forma direta um ser de natureza contraditória e ilógica como a mulher.

Mas não sejam apressados ao me interpretar. Não estou fazendo uma apologia à promiscuidade masculina.

Nem tampouco condenando às mulheres à condição de seres das trevas. Como disse, elas possuem um outro pólo absolutamente sublime. Mas é justamente o plano profano aquele com o qual mais nos relacionamos. O plano sublime, a maternidade, está reservado aos filhos, meus caros. É o desígnio feminino: o homem quer transmitir, a mulher, criar. Seu melhor é para a cria, não para o parceiro. Um homem pode fecundar inúmeras mulheres em um ano. Já uma mulher pode ser fecundada apenas uma vez por ano, e adicione-se um período de amamentação de um ano e meio. Todo este dispêndio reprodutivo a programou naturalmente para ser cruelmente seletiva. Não é qualquer um que serve, os óvulos são caros, dão trabalho, e não podem se dar o luxo de abrigar os genes de qualquer um e errar demais em suas escolhas.

Para a maternidade, procuram os melhores exemplares da espécie. Os melhores a que podem ter acesso. A maternidade tem no sexo o meio, a transmissão de genes tem no sexo um fim, e daí a prioridade do sexo ser mais masculina do que feminina.

Somos testados constantemente. Sim, estamos sendo observados a cada gesto. A cada "sim" e a cada "não". A cada êxito, e cada atitude vacilante, e é ali que se informa que tipo de macho você é.

O principal ponto por onde o homem é aprisionado, é na sua necessidade de sexo. Os meios, suas carências. O homem acredita possível ter seu amor retribuído com amor em uma troca justa e direta. É pela ilusão de que pode ser direto que é pêgo. Exemplos são fartos, desde o marido dedicado e democrático que é negado aos prazeres, ao amigo confidente sem chances de obter o que deseja (vulgo "amigo fofo").
Mas porquê a moça da foto sorri tanto? O que a agrada em ter sido subjugada? Ela encontrou seu macho à altura, e finalmente foi feita cativa. Porque não, podemos abstrair as correntes, e aplicar perfeitamente como metáfora, às relações baunilhas.

O referido homem foi capaz de vencer uma guerra que a fêmea desejava perder, ainda que perdesse as estribeiras, reclamasse, julgasse a si mesma mal amada, e tentasse cada vez com mais fúria virar o jogo. A mulher é o peixe mais difícil de se pescar.
Não é atoa que elas preferem os cafajestes. Eles gozam de independência sentimental. Não são aprisionáveis. Não se vergam. Não nasceram para cavalo de carga de mulher alguma. Mas imagino que o leitor não queira ser um cafajeste, queira realmente ter os tesouros de uma única mulher. Ou duas, quem sabe três unicas mulheres. Não há mal nisso. O primeiro passo, é acordar para a sua realidade, já que você escolheu uma das coisas mais difíceis que existem. Se você prefere a inocência e a ilusão dos sonhos românticos, sugiro que monte quebra-cabeças, escreva poemas, ou namore homens. Se não quiser ser um jogo na mão de uma mulher, precisará encarar algumas verdades, e ter estômago para isso.
Em primeira instância, esqueça a retribuição incondicional do amor. As mulheres desconhecem isto. Seu amor incondicional é para seus filhos, e não seus amantes. Nos amantes ela procura segurança e bons genes.

O leitor por acaso já viu alguma mulher compadecer-se com sinceridade de alguém que suicida-se por amor? Não. Este pobre diabo apenas assinou seu atestado de inepto, e sendo assim, mereceu o fim que teve. Quem gosta de mártires são homens. Eles são broxantes para as mulheres. Repetindo: se o amor incondicional feminino está reservado à cria, não tente ser o filho dela. Ela não quer você para filho, mas para homem. O sublime feminino não está reservado a você, e sim, o profano.

O sucesso do cafajeste deve-se ao fato de ser indomável. A mulher entende a conversão do cafajeste em homem fiel como prova de amor, e muitas inclusive tentam converter este ser indomável. O homem domável serve apenas para lhe prover. Não é preciso grandes esforços da parte dela para manter-lhe feliz, e pasmem, quem colocou desta forma é precisamente o homem que aceitou a doma. O amigo "cara legal", "fofo", "bom ouvinte" jamais consegue comer a sua amiga exatamente por isso: ele oferta a proteção e segurança emocional sem pedir nada em troca. Logo, não precisa ser pago... ele ofertou de graça, não? Ofertou. Se quiser o melhor dela, vai ter de dominá-la. Ou contentar-se com migalhas. O sexo e o carinho dados ao homem bondoso normalmente são migalhas e lixo, comparado ao que ela destina ao cafajeste.

Um homem se torna domável sempre que cede aos jogos femininos. Os jogos femininos baseiam-se basicamente em aproximação/afastamento, causar confusão mental, e tortura emocional. Por serem mais fracas fisicamente, a evolução as obrigou a refinar as artes quiméricas. Vamos discorrer sobre estes jogos. Lembre-se: no fundo, o que ela realmente deseja, é perder. Mesmo que morra negando. Aliás, negar é o que melhor fazem as mulheres. Ela quer que você seja este macho, e se você não for, ela procurará outro. Afinal... quem não quis ganhar foi você, paciência. A escolha foi toda sua.

Os jogos de aproximação/afastamento baseiam-se em atrair o macho, e então o repelir. Estes jogos são constantes, e visam, através do seu desejo, lhe manter em órbita dela. A mulher é imensamente mais paciente que o homem, e sabe disso. A sua capacidade em destruir estes jogos é que vai definir o seu sucesso. Como reagir aos jogos femininos? Desmantelando-os. Em primeiro lugar, não a perseguindo. É o que ela espera, que você a persiga, torne-se impaciente, e quanto mais impaciente ficar, mais a perseguirá, e mais disposto a barganhar estará, para finalmente dar fim à expectativa. Não permita que ela comece este processo: não a persiga. Não a olhe constantemente. Não repare em suas pernas, rosto, etc. Ela tem visão periférica, e sabe quando você, que tem visão focal, a está olhando. O seu desejo é a isca, e tão logo morda, ela começará o jogo de puxar e soltar a linha, até que você canse. Espere até que ela, cansada de você não morder a linha para que ela puxe, comece a lhe encarar. Vença pela superioridade.

Nada enfurece mais uma mulher do que não sentir-se notada. Quando você não morder a isca, induzirá um desequilíbrio e confusão nela. É um ótimo momento para abordá-la, primeiro, cumprimentando-lhe. A mulher gosta de conversar olhando para cima, nunca para baixo, então faça isso de forma segura e dominante. Você terá escapado do jogo inicial, e começado a invadir o espaço pessoal dela. Você agora se aproximou, e tecnicamente, cumpriu com uma etapa do jogo dela, a menos que... não permita que ela se afaste. Como? Afastando-se primeiro. Tome a iniciativa de encerrar a conversa sempre, tirando dela o domínio sobre a duração do contato.

Estes jogos desenrolam-se não apenas em contatos iniciais, mas também em relações com anos de duração. Enquanto relacionar-se com mulheres, você estará exposto a estes jogos, até o final dos seus dias. Não é prioridade da fêmea estar sempre acessível, cabe a você criar este acesso, principalmente, não deixando a comando dela a decisão sobre os intercursos e sua duração. Você é o homem, é você que dita as regras. E só ditará, se tiver capacidade para isso. Elas não fazem por mal, é sua natureza ser assim. Um macho forte o é em cada momento, não permitindo por vias indiretas que ela comande, não permitindo que se afaste. E principalmente, não a priorizando.

Repare que as mulheres que tomam iniciativa são sempre as mais feias. Não possuem atrativos físicos consistentes para empregar jogos de aproximação seguido de afastamento, pois perderiam a "caça". Logo não lhes resta opção senão serem mais indulgentes. A segurança feminina que acontece a partir dos trinta e cinco também obedece a mesma lógica: ela não tem mais tempo para jogos. Seu relógio reprodutivo lhe cobra pressa, e é apenas assim que elas abrem mão dos jogos de aproximação/afastamento. Mas você não precisa limitar-se a este público, a menos que tenha preferência por ele. Estes jogos são "peneiras", onde se separam os machos fracos dos fortes. Os fracos as perseguirão, usando desde insistência inabalável, a até mesmo pieguice romântica. Não sendo fortes, é o recurso que lhes restou. Observe em um encontro social ou festa, como é normal que uma fêmea lhe encare fortemente, para então lhe rejeitar quando se aproxima. Isso lhe reforça a auto estima. Observe também como reclamam dos insistentes e dos que precisam beber para terem coragem. Estão reclamando de estarem atraindo machos fracos, assim como um pescador aborrece-se de pescar peixes pequenos seguidamente.

Não aborde uma mulher bêbado. Não a persiga. Não insista demais: você está dando autoridade a ela desta forma. Um macho que valha a pena, sabe-se um item raro. Trata-se como uma preciosidade. Lembre-se que existem três bilhões de mulheres na terra, mas pouquíssimos homens interessantes. Valorize-se.

As confusões mentais baseiam-se em sofismas empregados por frases e gestos que não dizem a mesma coisa. Anos de repressão patriarcal obrigaram a mulher em sua evolução a mesclar mentiras e verdades em sua fala, uma vez que sua sinceridade era coibida. Agora colhemos os frutos da burrice de nossos antepassados, e seremos forçados a destrinchar com muito mais perspicácia a comunicação feminina. Um sofisma é uma afirmação de lógica falaciosa, algo como "é dos carecas que elas gostam mais, logo, não gostam dos que têm cabelos". É um exemplo de sofisma.

Em primeiro lugar, jamais julgue uma mulher pelas suas palavras. Julgue apenas por seus atos. Ela jamais lhe deixará decidir se é uma santa ou uma vadia, enquanto você a julgar com os ouvidos. É com palavras que ela tentará lhe ludibriar.

Exemplo prático: sua parceira está derretendo-se em atenções excessivas a outro macho no ambiente. Caso você a interpele, ouvirá que está sendo bobo e ciumento, inseguro quanto ao outro macho. Muitos homens engoliriam a seco, sem notar o sofisma: não é o outro macho que está lhe incomodando, e sim a postura DELA. Se você tomar a afirmativa dela como apaziguamento, terá caído no sofisma, e inclusive a estará encorajando a lhe trair. A solução pode ser uma de duas: comunique UNILATERALMENTE seu repúdio à atitude dela, e informe (sem margem para argumentação), que ela lhe está dando o direito de proceder da mesma forma com as outras fêmeas. Ou, ponha-a em contato mais profundo com o seu concorrente: isso a deixará perplexa, e tão logo você não se importe com o outro macho, ele também perderá o interesse para ela. Ela foi indiferente a você ao dedicar tanta atenção ao outro macho, logo, seja indiferente a ela. Ela fez o jogo assim, você apenas está jogando. Se você perder, perde a ela também. Se você percebeu estas atenções, é por que sim, elas existem. E você não vai obter dela uma confirmação verbal disso. Ela negará veementemente.

Importantíssimo: nunca discuta. Mulheres não são propensas a admitir verbalmente suas artimanhas. Cabe a você detectá-las, e desarmá-las. Lembre-se que o jogo foi criado por ela, você não tem escolha a não ser jogar. Ou perder.

As torturas emocionais são jogos baseados em nossas carências. Tão logo conheça a extensão de suas fraquezas, ela vai usá-las para lhe distrair a racionalidade. Não é impressionante como elas nos encorajam a demonstrá-las, dizendo que um homem de verdade é aquele que admite suas fraquezas? Pois saiba que tão logo as demonstre, você se tornará manipulável. Deixe a crença na franqueza com as mulheres para os tolos e fracos. São incapazes de acreditar que as mulheres são seres indiretos, subliminares, e evasivos. E por isso é que são tolos. E por isso que as perdem. Esse é perfeito candidato a cavalo de carga, ou "amigo fofo". Ou namorado fofo. Um projeto de corno, que se recusa a perceber o caráter feminino implacável e impiedoso, derivado de seu lado animal: o profano. Dizem que a melhor mentira que o Diabo já contou, foi convencer o mundo de que não existia. A melhor mentira do feminino, foi convencer o masculino de que seu lado profano não existe. Pense nisso. E preste atenção aos cafajestes: pegue seu melhor, e dispense suas fraquezas. A verdadeira força de um homem consiste em não precisar ser um cafajeste para conseguir o acesso aos tesouros femininos: o carinho, amor e o sexo.

A liberdade feminina é relativa. Todas as posturas que ela adota lhe são benéficas. Mas você é uma raridade de homem, lembra? Então as liberdades que ela toma, que a façam lhe perder, são maléficas por conseguinte. Nem sempre proibir é o caminho apropriado, em se tratando de qualquer mulher. Algumas são mais domáveis que outras, e nenhuma é 100% domável. Quando menos domável uma mulher pela via direta, mais domável ela é pela via oposta. Use os comportamentos maléficos dela a seu favor, permitindo que ela os cometa, ou em casos extremos até mesmo incentivando, e deixe que as consequências de seus atos recaiam sobre si. Quando ela resolver usar uma saia muito curta, ou decote muito aberto, e não for o caso de proibir, incentive-a a errar, dizendo que a saia está muito comprida ainda, ou o decote está muito fechado. Ao sentir que se aproxima do exagero, ela há de retroceder. Especialmente porque você a empurrou para este lado.

Você estará domando uma mulher indomável pela via indireta, quando não puder domar pela via direta. Como disse, a liberdade feminina é relativa. A moça da foto não está sorrindo? Está, pois está impedida de atentar contra si mesma. Não permita que isso aconteça, e domine-a para o bem dela. Se ela não retroceder no decote, ou no comprimento da saia como no exemplo, mude de mulher. Você acaba de descobrir que esta em especial não presta, seja por falta de caráter, seja por falta de inteligência. Tenha em mente que ela não vai errar por ingenuidade, ainda que afirme que aumentou o decote imaginando que estaria lhe agradando. Se reduziu o decote, foi por temer lhe desagradar. Se não o reduziu, é porque não lhe levou em conta.

O que precisa um homem:
1) Seja firme e suave: não vacile em suas posições, e não torne-se agressivo. Ser macho não é ser violento, é ser viril. Um macho legítimo jamais agride uma fêmea, seja física, seja moralmente;

2) Não peça. Quem pede a uma mulher, são seus filhos. Seja hábil, e consiga o que quer pela astúcia;

3) Seja, e pareça superior. Mulheres detestam conversar olhando para baixo, preferem olhar sempre para cima;

4) Não tenha medo de perdê-la. O seu medo é o que torna isso verdadeiro, e algumas fêmeas sim, você vai perder, e deve saber lidar com isso;

5) Não se apaixone. Ame intensamente, mas com um distanciamento saudável. O amor recíproco não é material, não conte com esta possibilidade. Os jogos não cessarão jamais, ainda que ela lhe ame. É da natureza feminina, e ou você aceita isso, ou...

6) Seja indiferente a seus apelos. Premie os bons comportamentos, castigue os maus (e isso não se resume a açoitamentos) mas jamais ceda a chantagens emocionais;

7) Não se polarize em indiferença, nem em amabilidade. Qualquer dos dois polos o fará perde-la. Alterne sempre, sempre menos em amabilidade, mas não seja apenas indiferença. Prefira ser temido do que amado;

8) Não se preocupe em ser engraçado, exceto raramente. Se ela quiser um comediante, que pague por um. Ouça algumas vezes, mas não sempre. Se ela quiser um psicólogo, que pague por um. Deu para pegar o espírito? Os seus "serviços gratuitos" lhe dão o caráter de escravo. Use seus atributos em vista de compensações, e como forma de prêmio, nunca de oferta;

9) Não discuta. Pela via da argumentação, ela vai lhe vencer, porque é mais hábil na linguagem do que você. Julgue, e então proceda baseado em seu julgamento. E julgue pelos atos, NUNCA, JAMAIS pelas palavras;

10) Adestre-a. Mesmo baunilhas. A sua proteção tem um preço, e por mais cruel que isso soe, lembre-se que o acesso aos tesouros femininos TAMBÉM tem seu preço.

Seja seletivo em suas iniciativas. Cada atitude feminina é passível de prêmio, ou castigo. As demais, indiferença. Tal qual se adestra um animal irracional, premie nela os atos que lhe agradam. Ensine a ela como você merece ser tratado, selecionando o que é merecedor de aprovação, e pague sempre as atitudes dela com atitudes suas correspondentes. Seja seu espelho: quando ela agir mal com você, castigue. Puna com indiferença ou reprovação. Quando agir bem, premie.

Sua masculinidade é seu bem mais precioso. "Seja mais temível do que amável, mais frio do que carinhoso, mais distante do que próximo. Ainda assim, seja sempre misterioso, protetor e dominador. Obviamente, nunca deixam de estropiá-la com sexo intenso. (N. Alita)". Se os príncipes encantados servem para casar, não é por menos. Já reparou como o príncipe encantado dos contos de fadas nunca tem nome? Ele se chama apenas "príncipe". O seu nome sequer interessa, conquanto ele resolva os problemas da donzela sempre.
Ah... a donzela sempre tem nome.

Procure ser fascinante, protetor, firme, seguro, independente emocionalmente e financeiramente, distante, misterioso, amável, indomável, e ao mesmo tempo indiferente, absoluto, resoluto e parcial. Seja dono se si. Não é sua obrigação prover a satisfação dos dois lados: cada um cuida da sua, e ela está cuidando da dela sempre. Santidade e Homem são palavras que não combinam.

Fazemos isso para sermos maus? De modo algum! As amamos. E as queremos ao nosso lado. Não se ouviu um único homem falar que vive sem mulheres, e no entanto, é famosa e repetida a frase da Madonna, de que "depois que inventaram o vibrador, os homens servem apenas para cortar grama". Elas vivem sem nós, nós não vivemos sem elas, e precisamos assumir esse fato. Não significa contudo ser seu joguete. O ingênuo sempre é mau, e por isso se diz que de boas intenções o inferno está cheio. Seja bom, mas seja homem.

O senso comum diz o tempo inteiro que as mulheres são delícias sublimes. E que não se pode criticar, ou reconhecer um lado mau naquilo que é uma delícia. Isso é uma apologia à irracionalidade, propagado principalmente por feministas. Não há no mundo aquilo que não tenha um lado negro, e não há no mundo aquilo que não seja passível de crítica.

É por jogar consciente, e saber driblar os jogos femininos, que poderemos amá-las sem perdê-las. E sem que a natureza feminina nos faça perdê-las, e elas a nós. Olhe como a moça da foto está feliz: ela finalmente perdeu, e teve seus jogos derrubados. Não pense você que a mulher amarga, é a mulher dominada: muito pelo contrário. A imagem em si é uma metáfora da Fêmea Feliz.

Existem mais decorrências, mas este texto não se presta à categoria de trabalho científico, ainda que seja pautado em algum empirismo.

Já de antemão descarto eventuais manifestações de repúdio feminino a este conteúdo: se incomodam, é sinal de que estas idéias possuem alguma validade. Igualmente descarto manifestações de repúdio masculino: se o aqui escrito lhe é inconcebível, pouco posso fazer senão lamentar pela sua ingenuidade. E a quem desejar me rotular de machista, me adianto: sim, eu sou, e não perca seu tempo afirmando o óbvio.


Bemvindo à Matrix.
Senhor Coltrane.
P.S.: segue em anexo uma foto postada pela bela fera, que inspirou este artigo.
Referências Bibliográficas:
* Como Lidar Com As Mulheres - Nessahan Alita
* O Profano Feminino - Nessahan Alita
* A Arte da Prudência - Baltazar Gracián
* O Príncipe - Niccola Machiavelli

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Dominação Feminina e Feminismo.

Boa Tarde!

Outro dia me perguntaram o que eu seria se não fosse Dom. Respondi: Domme.

Para quem me conhece, sabe que sou machista convicto. E amante do bom senso, é claro.
As duas coisas juntas, resultam que: considero absolutamente natural a preponderância do macho nos ambientes sociais e maioria dos profissionais.

Contudo igualmente importante é o respeito às fêmeas, e é este também, um código do machismo. O cavalheirismo é um exemplo do machismo respeitoso e consciente: um reconhecimento da fragilidade da condição feminina, que pede tratos especiais.

Não quero dizer com isso que não reconheço o papel das Dommes. Em primeiro lugar, a pessoa com quem mais aprendi sobre BDSM, é uma Domme. E em segundo lugar, o papel social, e o papel sexual, para mim, são completamente apartados, e é nonsense mesclar as duas coisas.

Esta mescla de dois assuntos totalmente diversos, produz teorias as mais mirabolantes e sem nexo. Hipocrisia pura.

Primeiramente, o papel sexual existe independente do papel social. Não é raro termos submissas que profissionalmente ocupam cargos de comando, e chegam a ser extremamente autoritárias em suas funções enquanto profissionais. Também existem Dommes que nem sequer trabalham fora, sejamos honestos. Igualmente, submissos com carreiras proeminentes, que optaram pela submissão em sua sexualidade.

O besteirol acontece quando se mescla FemDom com feminismo. E adquire proporções geométricas, quando decide procurar seus bodes expiatórios no sistema patriarcal da sociedade.

Vamos lembrar que Sacher Masoch era um submisso em pleno patriarcado.

Mas se é para discutir os danos do patriarcado, vamos lembrar também os benefícios:

Recentes resultados de pesquisa de câncer de mama revelam que o índice de cancer de mama em mulheres com menos de 35 anos cresce a cada dia. Os motivos apontados, em ordem de importância, foram: gravidez tardia, stress, e ingestão excessiva de conservantes nos alimentos. A expectativa de vida feminina é mais alta. Mas vem trazendo problemas de saúde em tanto número quanto aos homens, e gravidez tardia e stress são efeitos da entrada da mulher no mercado de trabalho. Agora, estão expostas às mesmas condições de pressão que os homens sempre estiveram, e estão aparecendo as conseqüencias, além de, por conta da carreira, prorrogarem a gravidez.

Vez ou outra encontramos afirmações do tipo: "Crio meu filho sozinha, homens são desnecessários". O que devemos lembrar é: é devido às facilidades modernas, frutos de inventos masculinos, que isto é possível. Uma mulher sem microondas, máquina de lavar roupas e mais uma série de eletrodomésticos não tem tempo de criar uma criança, e ainda por cima, trabalhar. As 24 horas do dia seriam insuficientes para este ritmo sem o aparato moderno a lhe dar suporte. E este aparato, foi inventado por homens, me perdoem.

Igualmente, sim, homens hoje são desnecessários. Desenvolveram sistemas de segurança pública (que por menos que funcionem, sem eles seria ainda muito pior). A engenharia se desenvolveu, e não existem predadores que ameacem um cidadão urbano. Uma mulher pode ir para o trabalho, e saber que não será devorada por um leão no trajeto, nem tampouco em sua casa. A sua toca é segura hoje em dia, e repleta de conforto.

O saldo populacional de hoje, de seis bilhões de habitantes, revela um fato: da idade das cavernas para cá, o patriarcado cuidou tão bem de suas proles e mulheres, que chegamos a uma vida muito mais segura do que há seis mil anos. De patriarcado.

Podem argumentar que, foram os homens que ergueram o mundo porque as mulheres eram mantidas em casa, e longe do ensino por muito tempo. Se isso for verdade então lanço um desafio: me citem uma sociedade matriarcal que não foi extinta, ou que, caso não tenha sido, não se encontre ainda em estagio primitivo. Os Touaregs são matriarcais, e são nômades até hoje.

Assim como sabem que sou machista, também sabem que tenho um profundo respeito por DominadoRAS. É o lado do chicote que escolheram, e nossa! Existem Dommes maravilhosas, excelentes tanto em D/s Quanto SM. Pessoalmente, nunca me furto a provocar uma conversa onde eu possa aprender algo com elas.

O que me destino aqui, é a atacar o que eu chamo de hipocrisia: fundamentar a Dominação Feminina nas teorias feministas. É muito fácil atacar o patriarcado. Mas não é curioso que o feminismo surgiu justamente na era moderna? Porque não haviam feministas no tempo dos Sumérios, na Roma, nas China antiga? Porque não, nenhuma mulher iria querer tomar o papel masculino, e ter de guerrear, caçar, erguer pirâmides, muralhas, moldar o aço. O feminismo só apareceu quando a vida se tornou muito mais fácil, e deixou de oferecer tanto risco de vida.

Resumindo: é muito confortável atacar o patriarcado, em uma cadeira macia (que usa polímeros), ao ar condicionado (que requer eletricidade), na frente de um computador (que requer eletrônica, todos invenções masculinas).

Garotas, muitos Doms as respeitam, vocês Dommes. Inclusive lhes admiram. Mas definitivamente não, quando usam de discursos que insultam o bom senso e só encontram viabilidade no campo das suposições.

O desafio está mantido: dêem-me uma sociedade matriarcal que não sucumbiu, ou que tenha tido avanços tecnológicos (ao invés de ter mantido-se primitiva), e eu retiro esta coluna deste blog, com direito a retratação pública. Sociedades matriarcais impulsionadas por adventos de sociedades patriarcais não contam. Precisa ser com adventos próprios.

Até este dia chegar, sustento minha tese: posição no BDSM e posição social não se mesclam. Respeito e admiro Dommes. Desconsidero feministas.

Grande Abraço.